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05
Jun15

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 Foto: Reuters

 

Caros motoristas da Carris:

 

Transportes colectivos de passageiros. Sabem o que são? Para o caso de nunca vos terem explicado, eu tento colocá-lo em palavras simples. São automóveis grandes, ditos “pesados”, onde cabem muitas pessoas. No caso da empresa onde trabalham, todos os dias viajam neles milhares de pessoas, entre as quais crianças, velhinhos, pessoas com deficiência motora. Apesar de terem três ou quatro bancos destinados a pessoas com mobilidade reduzida, todos os outros bancos carecem de cintos de segurança. Têm ainda os chamados “lugares em pé”, que são para cima de 50, que quando são utilizados transformam os tais “transportes colectivos” em gigantes latas de sardinhas.

 

Estão a captar o conceito? Pronto.

 

Poderão então agora chegar à conclusão daquilo que não são os transportes colectivos de passageiros. Não são carros de Fórmula 1; não fazem todo-o-terreno; não são admitidos no Paris Dakar; estão muito longe de competir com os DTM.

 

Eu sei que depois de um dia a levar com o trânsito e os irritantes semáforos lisboetas, deve saber bem dar-lhe no “prego” à noite. Mas não se esqueçam: depois de anoitecer, os autocarros não se transformam em abóboras. Continuam a ser transportes colectivos de passageiros. Continuam a viajar pessoas lá dentro. Podem ser menos do que às 18 horas, mas continuam a ser pessoas que gostavam de conseguir deslocar-se desde a entrada até ao fundo do autocarro sem bater em todos os postes possíveis e sem fazer derrapagens estilosas.

 

Outra coisa que poderão não vos ter ensinado, mas que a mim me disseram nas minhas aulas de condução, nessa longínqua terra chamada Milheirós. O pedal do meio – no vosso caso até é o da esquerda, não têm que se atrapalhar com a maldita embraiagem  - é para ser tratado com carinho. E a travagem deve ser antecedida de uma coisa chamada “redução de velocidade”. Se o vosso destino é uma paragem que está a 20 metros de distância, podem ir gentilmente carregando no pedal, para que o bicho vá acalmando e a travagem seja suave. Se, pelo contrário, continuarem a 80 km/hora até estarem a 2 metros da paragem e de repente carregarem no pedal com toda a vossa força, o automóvel vai dar um solavanco.

 

E vejam lá: ensinaram-me isto num Toyota Yaris onde estavam apenas duas pessoas: eu e o instrutor. Não estavam dezenas de pessoas lá dentro, umas sentadas e umas de pé, meias penduradas naquelas pegas muito dadas ao efeito da inércia.

 

Caso não tenham ainda captado a mensagem, resumo-a numa frase: por favor respeitem os passageiros, conduzam como deve ser e parem de fazer ralis no meio da cidade.

 

Grata.

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Ora bem, três e meia da manhã, hora de me lembrar deste blogue que anda adormecido há quase um ano.

Já se tornou óbvio que não tenho jeito nenhum para manter blogues vivos. Sou uma gaja de ondas: ora tenho a mania que sei escrever coisas e que as minhas ideias interessam ao mundo, ora acho que estou bem é caladinha.
Aparentemente a primeira acontece mais quando chega o Verão. Não sei se é das férias a aproximarem-se e da criatividade a aumentar ou se é só o sol que me torra o cérebro.

Ora o que é que aconteceu nestes nove meses em que estive calada, logo depois da minha análise super profunda acerca da moda dos meets?

 

- O CITIUS berrou

- O Ministério da Educação merdou

- Todos pediram muitas desculpas

- O Pires de Lima andou nas drogas

- O Sócrates foi preso

- o Sócrates continuou preso

- o advogado do Sócrates foi - e continuou a ser - mal criado com todos os que o rodeiam

- Dois terroristas mataram 12 pessoas na redaccção do jornal satírico "Charlie Hebdo"

- O mundo passou a ser todo Charlie Hebdo, mas continuou a escandalizar-se com tudo e mais alguma coisa

- O mundo esqueceu-se do Charlie Hebdo

- Um ataque numa universidade do Quénia matou 148 pessoas

- Ninguém deu por nada

- O Boko Haram fez praticamente desaparecer a cidade de Baga, na Nigéria, matando milhares de pessoas

- Ninguém deu por nada

- um louco despenhou um avião com 150 pessoas a bordo

- todos de repente se preocuparam com a porta do cockpit

- todos esqueceram a porta do cockpit

- o acordo ortográfico entrou em vigor

- também continuaram em vigor calinadas como esta:

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(espero que isto seja muito bom Photoshop)

 

- a Constança praticou o Bullying, a Internet escandalizou-se e quis fazer-lhe muito pior

- um polícia espancou um adepto à frente do filho e a Internet quis fuzilá-lo

- outro polícia abraçou a criança e a Internet quis glorificá-lo

- o Benfica quis fazer a festa mas à meia noite já estava tudo na caminha a ver na televisão a batalha campal que se instalou no Marquês

- toda a gente se lembrou que a polícia é má

 

Vendo bem, tinha aqui material de sobra para as minhas geniais reflexões.

Mas como não sei por onde começar, elas vão ter que ficar para outro dia.

 

Boa noite, então!

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“Estes jovens de hoje em dia estão todos perdidos! Quando eu era jovem ia para a rua jogar com uma bola de trapos, era assim que fazia amigos!”

 

Podia muito bem abordar a moda dos “meets” com afirmações como estas, qual velho do Restelo, “meneando três vezes a cabeça, descontente, a voz pesada um pouco alevantando”. Conseguia facilmente encher uma página A4 com generalidades dessas, “se eu fizesse isso quando tinha 16 anos o meu pai dava-me duas lambadas que me virava, e não virei um traumatizado. Estes jovens de hoje em dia são umas florzinhas de cheiro”. Mas essa era a forma fácil de abordar a questão, pôr-me no meu pedestal a olhar para os energúmenos desta atual geração, que estão perdidos, e sem futuro, mais valia metê-los a todos numa máquina do tempo para aprenderem o que é a vida.

 

Se eu fizer o exercício de descer o tal pedestal indestrutível em que todos temos a mania de nos colocar, até consigo perceber a moda dos “meets”. Estamos nas férias do Verão. Três meses sem nada para fazer é muita coisa (já agora, se alguém me quiser ceder uns quinze dias do seu vasto tempo livre, eu aceito). Eu lembro-me que costumava ocupar esses dias a combinar “meets” com os meus amigos da escola, da catequese, do coro (sim, sou uma menina do coro que andou na catequese, não me chateiem). “Meets” na praia, na piscina, no cinema, no café. A diferença é que na altura o computador existia no máximo para estar no “Messenger” à conversa com essas mesmas pessoas (escondidas em nomes como “mor4nguit4h fof1t4h” e “Crazy Net Boy”), e era bem mais interessante quando nos juntávamos ao vivo e criávamos memórias todos juntos.

 

Hoje em dia, os adolescentes têm muitos mais fatores de distração. É o Facebook e as trinta mil fotografias ao espelho dos seus 3 mil amigos. É o Youtube, todo o lixo e todas as coisas interessantes que lá se podem descobrir. É o Instagram, o Tumblr, o Twitter, os sites piratas com todos os filmes e séries algumas vez feitos. É o Spotify, o Pinterest, o Snapchat, o WhatsApp.

 

De repente, os miúdos passaram a poder estar em contacto com o mundo estando o dia todo de pijama em frente ao computador (que, by the way, é o que eu estou a fazer neste preciso momento). E conseguem realmente divertir-se assim, sem ficar entediados duas horas depois. Têm uma vida paralela nas redes sociais. São ambientes controlados onde podem mostrar-se exatamente da maneira que querem ser vistos. Para pessoas inseguras ou tímidas, é a forma mais fácil de fazer amigos. “Amigar” uma pessoa desconhecida e abrir uma janela de um chat é bem mais fácil do que nos aproximarmos daquele rapaz jeitoso que está a jogar futebol na praia.

 

Mas a certa altura, todos somos humanos, e percebemos que precisamos de algo mais do que amizades meramente virtuais. Precisamos do contacto visual, do toque, de outras coisas mais. E neste contexto parece-me que os #meets fazem todo o sentido. São encontros de toda a malta que passa o dia de pijama em frente ao computador a “botar like” em todas as fotografias que lhes aparecem à frente. Onde podem realmente ver ao vivo aquele rapaz com quem conversam quase diariamente, olhando-o finalmente nos olhos. Onde podem realmente rir uns com os outros, risos reais, sem terem que escrever “lol” a cada dois segundos. Estes “meets” juntam pessoas que já se conhecem, de uma forma às vezes bastante profunda, mas que nunca passaram pela fase da timidez inicial, das primeiras palavras trocadas, das primeiras reações.

 

O problema, no meio disto tudo, é que as redes sociais não juntam dez pessoas que acabam por formar uma amizade sólida. As redes sociais são um autêntico mundo, novas realidades que juntam milhares de pessoas. O resultado é este que anda a abrir telejornais. Centenas de jovens marcam um encontro, dez dos quais fazem parte de “gangs” e gostam de espetar chaves de fendas e garrafas nas costas das pessoas. Resultado: os “meets” dos jovens de pijama com necessidade de fazer amigos são transformados em práticas criminais, põem a polícia em alerta máximo, interrompem concertos onde as pitas histéricas se querem divertir (chamo-lhes pitas histéricas porque tive que levar com elas – as piores, as da primeira fila -durante mais de uma hora a gritar-me aos ouvidos). E fazem jornalistas terem que sair do trabalho às seis da manhã. Esta é realmente a consequência mais grave de tudo isto.

 

Fenómenos destes dão que pensar. A dimensão das redes sociais é inquestionável. Basta pensar nos banhos públicos, que continuam a percorrer o planeta a uma velocidade incrível. Somos todos solidários para fazer um vídeo a despejar um balde de água gelada pela cabeça abaixo, mas provavelmente passamos todos os dias por pessoas que precisam da nossa ajuda e viramos-lhes a cara, totalmente indiferentes ao seu sofrimento. Somos realmente solidários? Ou precisamos de mostrar isso à rede, esse ambiente controlado onde podemos ser quem quisermos?

 

O problema está nos “meets”, ou está na nossa forma de estar perante as redes sociais? Está nos adolescentes ou nos exemplos que veem nos adultos à sua volta? Porque é que os pais, em vez de dar um smartphone topo de gama a crianças que ainda não sabem conviver na vida real, não lhes dão a oportunidade de estar com pessoas reais, utilizando os seus tempos livres para praticar um desporto, aprender a dançar, a falar inglês ou a tocar um instrumento?

 

Agora que as redes sociais estão cá, e aparentemente vieram para ficar, talvez seja melhor descermos dos nossos pedestais, e começarmos a educar as nossas crianças. E a melhor forma de educar não é proibir os adolescentes de ir ao Vasco da Gama ou ao concerto do Anselmo Ralph. Isso não cria adultos, cria revoltados. Educar é dar o exemplo, alertar. E sobretudo dar alternativas.

 

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Esta coisa dos banhos públicos que invadiu o Facebook há já umas semanas faz-me lembrar aqueles e-mails que eu recebia quando tinha 12 anos, que tinham sempre anexados uns Power Points pirosos, cheios de anjinhos e flautas-de-pan a acompanhar, a resumir uma filosofia de vida qualquer vinda da China ou da Tailândia ou da Lapónia. Eram os vídeos do Gustavo Santos, versão 1.0.

 

Estes e-mails acabavam sempre, invariavelmente, com uma frase do género “manda este e-mail a 15 pessoas, senão vais ter trinta anos de azar, um camião TIR vai-te passar por cima e nunca mais ninguém vai gostar de ti”.

 

Eu reencaminhava para os meus contactos, “pelo sim, pelo não”. Depois, aos poucos comecei a perceber que os camionistas tinham mais que fazer do que atropelar pessoas só por elas ignorarem um e-mail, e passei a ser muito mais feliz.

 

Os banhos públicos tinham tudo para ser engraçados, se não se tivessem tornado uma dessas correntes irritantes que todos parecem ter medo de quebrar. E de repente o meu feed encheu-se de gente a molhar-se com mangueiras e a borrifar-se com água no meio da rua. Ainda por cima, a maioria é daqueles que, se virmos no computador, ficamos com o torcicolo no pescoço, porque ninguém se digna a filmar com o telemóvel na horizontal.

 

Há alguns engraçados – não digo que não. Já me ri genuinamente com dois ou três. Nos restantes, ri-me por outras razões. Se é que me entendem.

 

Entretanto, o pessoal famoso deste mundo decidiu envergonhar as “babes” e os “manos” portugueses, voltando ao cariz solidário que originalmente estes desafios tinham. O “Ice Bucket Challenge”, que anda a correr o Facebook e as revistas cor-de-rosa do mundo todo, tem agora o objetivo de ajudar a associação ALS a angariar fundos para pacientes e investigadores da doença esclerose lateral amiotrófica.

 

Já aderiram ao movimento Mark Zuckerberg, Bill Gates, Cristiano Ronaldo, Justin Timberlake, Jennifer Lopez, entre muitos outros.

 

Conclusão: a “moda” já chegou à malta da massa, que se anda a divertir a tomar banhos gelados e a contribuir para uma boa causa. A ALS agradece e nós também, que temos oportunidade de ver o Cristiano Ronaldo de cuecas e a versão "miss camisa molhada" do Bill Gates.

 

É neste momento que os tugas percebem que já chega de mangueiradas no jardim para evitar pagar jantares a amigos. Se gostam assim tanto de correntes, adiram antes a esta, que é mais útil para a sociedade. Fica a sugestão.

 

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14
Ago14

A arte de ter tempo

por Inês Rocha

 

 

Com este, são já catorze dias de pausa na rotina. Sem horários, sem compromissos de maior, a aproveitar o tempo.

 

Nestes catorze dias, andei longe destas lides das palavras. Viajei com os amigos até ao fim do mundo, onde as paisagens ainda são naturais e a carne ainda sabe a carne, onde a música e a dança saem dos corpos tão naturalmente como a respiração. Percorri o país inteiro com a família e a amiga que também já é família. Cá atrás, um cão velhinho e surpreendentemente paciente, a sua respiração nos nossos pescoços durante largas horas.

 

Acordei a ver o mar, tomei pequenos-almoços na varanda, sentada à mesa e a conversar, sem pressões de ter um metro para apanhar e um horário para cumprir. Juntei-me ao povo instalado num pequeno retângulo de areia em frente ao mar. Levei banhos de areia sempre que os miúdos decidiram passar a correr pela toalha onde estava estendida. Mergulhei no mar desta vez gelado do Algarve, senti o sol a evaporar a água salgada da pele em menos de um minuto e a queimá-la sem hesitações.

 

Fiz dos finos e dos tremoços de fim da tarde uma religião. Da companhia e das conversas um prazer. Comecei a ver boas séries, a ler um daqueles livros que nos absorvem até cravar os cotovelos na areia e fazer ferida.

 

Agora que começo a contar os dias para voltar à rotina e ao trabalho, para deixar este pequeno paraíso sem obrigações a cumprir, lembro-me de uma conversa que tive um dia com a minha avó, algures na minha adolescência ocupada.

 

- Nem imaginas a quantidade de coisas que tenho para fazer. Às vezes gostava que os dias tivessem 48 horas.

 

A minha avó sorriu, com aquele ar de quem vai dizer mais uma coisa sábia.

 

- Sabes, eu acho que se os dias tivessem 48 horas nós arranjávamos coisas para os preencher e continuávamos sem tempo.

 

Nas férias, comprovo sempre esta afirmação da minha avó. O tempo é contínuo, uma sucessão de horas infinitas que não param nunca. Saber aproveitá-lo é uma arte – se houvesse um curso a ensiná-la, já estava na fila para me inscrever. Teimamos em condensar em meia dúzia de dias no ano os pequenos prazeres que nos dão paz de espírito. Mas temos 24 horas em cada dia para usar a nosso gosto. Normalmente, não os sabemos aproveitar.

 

Não há nada melhor do que estes dias em que nada mais importa para nos treinarmos nesta arte de aproveitar o tempo.

 

Por falar nisso, vou desligar esta tralha e mergulhar de novo no meu livro, talvez no sofá que está na varanda e tem vista para o mar e para a lua, ou noutro lado qualquer. Onde bem me apetecer.

 

 

PS: Na fotografia, a praia da Cova Redonda, considerada pela European Best Destinations uma das 15 praias mais bonitas da Europa. Isto era eu a testar as capacidades fotográficas do meu novo brinquedo. Mas asseguro que ao vivo é bem mais linda.

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01
Ago14

Já não sou info-excluída

por Inês Rocha

 

Já ando a instagramar. Eu disse que não ia postar gatos fofos, cães não contam, ok?

 

Já não sou uma info-excluída. Ontem comprei um iPhone.

 

Vocês: “Eehh pá, um iPhone? Essa coisa do jornalismo dá dinheiro!”

 

Eu: “Eh pá, calem-se”.

 

Comprei um iPhone mas, como uma verdadeira tuga pobre, andei dois meses a estudar maneiras de poupar uns cêntimos no preço final. Vi os preços de todos os últimos modelos numa carrada de lojas, vi tarifários em todas as operadoras do mercado, descobri o plano especial para jornalistas da Vodafone, estudei todas as combinações possíveis de diferentes equipamentos com diferentes tarifários, irritei-me com as informações pouco explícitas do site, ponderei mandar vir o telemóvel do Canadá, descobri que o 4G de lá é diferente. Explorei o Olx, os usados e os novos mas sem garantia, as lojas online duvidosas todas. No fim, vencida pelo cansaço e não encontrando a solução que procurava, acabei por aderir à campanha de jornalistas da Vodafone e preparava-me para pagar uma autêntica prestação (em forma de tarifário) durante dois anos.

 

Ontem, ao almoço, explicava que o telemóvel devia estar a chegar por correio e o meu pai diz-me, tranquilamente: “mas podias aderir ao MEO, eu tenho um voucher para gastar de 150 euros em equipamento e ficas com um tarifário de €7,5 com net e chamadas ilimitadas”.

 

Eu bebi um gole de água e fiquei a pensar como contrapor aquela informação (afinal sou doutorada em tarifários). Não havia como contrapor. Era bom demais para ser verdade.

 

Vai daí, estraguei os planos de dois meses numa tarde e cancelei a compra na Vodafone. Foi tudo surpreendentemente rápido e não me obrigaram a mandar carta registada para 40 sítios diferentes nem preencher 50 formulários, o que foi estranho. Já agora, aceito apostas: quantas vezes, nos próximos meses, me vão ligar a horas inconvenientes a chorar por os ter abandonado de repente?

 

Bom, depois de duas horas numa loja MEO e de o meu santo pai se sujeitar a mais dois anos amarrado àquele operador (ninguém dá vouchers a troco de nada), lá me deram o brinquedo.

 

Agora pareço uma criança, a instalar este mundo e o outro no telefone e a experimentar todas as aplicações que ouvi dizer que são úteis. A sensação é mais ou menos como a do dia em que voltei de Angola, abri o Google no meu computador e aquilo demorou menos de um segundo a abrir. Pareço um burro a olhar para um palácio.

 

Mas nem tudo é bom. Se antes eu era a pessoa mais anti-social e incomunicável de sempre, agora vai tornar-se mais difícil viver na minha bolha. Se não responder a uma SMS, por falta de dinheiro, de não ver o telemóvel, de estar ocupada, etc., a pessoa pode optar por deixar mensagens no Facebook, no e-mail, no Viber, no WhatsApp e em mais não sei quantas aplicações que ainda posso vir a ter. Além de que o bicho sabe sempre onde eu estou, e aparentemente diz às pessoas, para o caso de haver stalkers interessados em encontrar-me.

 

Mas isto até é giro. É tudo super interativo, posso partilhar com o mundo o quanto a “minha” cadela emprestada é fofa, fazer inveja ao pessoal com os cozinhados da minha mãe, partilhar lugares, ideias em tempo real. E as fotos não ficam todas tremidas e pixelizadas, parecem realmente de uma máquina decente. Posso querer pesquisar uma coisa qualquer e de facto consigo cumprir a tarefa rapidamente, não demoro dez minutos a abrir um site.

 

Sim, já sei que pareço a minha avó a falar. Aliás, ela é capaz de dominar melhor estas coisas do que eu.

 

Já agora, meus amigos, preparem-se: daqui a uns dias, quando alguém me ligar, vai ter que levar com aquela senhora que fala com voz de altifalante de supermercado, mas em vez de pedir para se aproximarem da caixa central, diz: “Aviso… ligou para um assinante que agora pertence ao MEO. Por favor aguarde”. Peço desculpa aos mais impacientes!

 

Agora também aceito apostas: durante quanto tempo vou tratar este brinquedo como uma flor de estufa? Pousá-lo devagarinho, ter cuidado para não roçar as chaves de casa do ecrã, andar com película protetora, andar sempre à caça de aplicações giras, isso tudo. No meu telemóvel anterior, mal saí da loja deixei-o cair num chão de cimento e ficou cheio de marcas. Só para adequarem as vossas apostas ao ser destrambelhado que eu sou.

 

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29
Jul14

 

Há dois anos, por esta hora, já estava do outro lado do mundo. Eu e mais seis, e mais tantos que levávamos cá dentro connosco. Já tínhamos descarregado e organizado tudo o que levávamos nas malas - roupa de bebé, de criança, de adolescente, de adulto. Escovas de dentes, pastas de dentes, medicamentos de todo o tipo. Brinquedos. Mimos dos de cá para os de lá.

 

Aterrámos em Luanda com aquele nervoso miudinho de quem está prestes a realizar um sonho. Tínhamos quase um mês para nos desligarmos das nossas rotinas, do nosso conforto, das "merdices" que nos envolvem e nos consomem por cá. Lá, só tínhamos uma tarefa: ser para os outros. Além da tralha que levávamos nas malas - que era finita - queríamos levar-nos a nós, e deixarmo-nos lá, inteiros, com aquelas pessoas.

 

O que guardamos daquela experiência é difícil de explicar num texto rápido de um blogue. Daria um livro, e ainda dará, quando eu tiver disponibilidade e coragem para sentar o rabo e acabar o que comecei.

 

Mas hoje, dois anos depois, apetece-me fazer este exercício de recordar algumas das coisas que aprendi na Missão que vivemos em Luanda, durante aquelas semanas – recordar estas coisas é sempre uma “chapada de luva branca” na alma.

 

 

- É impressionante como o conceito de "necessidade básica" difere conforme a condição económica de cada um. Quando penetramos numa realidade de pobreza extrema e damos de caras com a felicidade estampada no rosto daqueles que não têm nada, damo-nos conta do valor de viver desapossado das “coisas” que tanto nos enchem as prateleiras, as carteiras e as agendas.

 

- Perdemos demasiado tempo em queixumes. Concentramo-nos facilmente na nossa condição de "coitadinhos", e esquecemo-nos de dar espaço à gratidão. A maioria das vezes, temos muito mais a agradecer do que a lamentar.

 

- Vivemos tão rodeados por um manancial de informação que nos tornamos desinteressados. Já pouca coisa nos faz parar para pensar. Temos poucas dúvidas. Quando as temos, resolvemos o assunto em dois segundos, com uma visita à Wikipedia. Contactar com pessoas que têm que lutar a sério para aprender mexe cá dentro. Quando dizemos coisas aparentemente básicas e vemos os seus rostos mudarem, por estarem a aprender uma coisa nova, percebemos a sorte que temos. A sua curiosidade e o genuíno interesse é verdadeiramente inspiradora.

 

- Tornamo-nos menos esquisitos. De repente, o feijão já não parece empapado e o leite em pó não tem uma textura assim tão má. Ter uma refeição quente para comer em comunidade de repente chega. Basta isso.

 

- Vamos para lhes ensinar muitas coisas, e acabamos a aprender dez vezes mais. Perdemos o péssimo hábito da indiferença e aprendemos a arte de ver em cada desconhecido um irmão.

 

Tantas mais coisas aprendemos, tanto mais trouxemos connosco. Vou ceder ao cliché do "há coisas que não cabem em palavras". Não cabem mesmo. Mas deixam saudades. Muitas.

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26
Jul14

A nostalgia do Mágico

por Inês Rocha

 

Quando era miúda, já não gostava muito de moda. O que eu gostava era de vestir umas calças de ganga, calçar umas sapatilhas (sim, “ténis” é um desporto) e ir jogar futebol com os rapazes.

 

Lembro-me como se fosse hoje de um dia de chuva, na altura da escola primária, em que ignoramos as ordens da funcionária e fomos para o campo jogar. Chegamos todos encharcados à sala de aula, e ficamos de castigo. A surpresa do dia foi que eu estivesse lá também. A miúda “bem comportada” a fazer o que não devia. Fiquei envergonhada: hoje lembro-me com clareza da cara de reprovação da professora a olhar para mim.

 

O que eu queria era ter uma bola nos pés para me divertir. O gosto pelo futebol veio-me de casa. Com irmão e pai ferrenhos pelo Porto, desde cedo tive curiosidade sobre todo aquele mundo. Lembro-me dos cromos que o meu irmão guardava, o Folha, o Peixe, o Secretário, o Drulovic. Das idas às Antas com o meu pai. De ele ter esquemas preparados para deixar o carro estrategicamente próximo. O estádio coberto de azul, as músicas em coro, os abraços aos desconhecidos. Nos lugares cativos daquela bancada, todos se conheciam. Mesmo não sabendo os nomes uns dos outros, todos partilhavam a mesma paixão.

 

Eu, com a minha camisola do Porto, vibrava com aquele ambiente, apesar de me intrigar como é que aquela gente conseguia ver bem o jogo e conhecer os jogadores àquela distância. Concentrava-me em seguir o ponto branco no relvado, e decorava a baliza em que tínhamos que marcar. Depois, era acompanhar a alegria do meu pai e das pessoas à minha volta.

 

Lembro-me de algumas músicas. Uma delas, que não me esqueço, era assim: “Ele é o nº 10 e finta com os dois pés, é melhor que o Pelé, é o Deco allez allez". Foram os tempos áureos do Porto, e eu ia ao estádio para vê-los ganhar. Certinho como dois mais dois serem quatro. Lembro-me do bi, do tri, do tetra, do penta. Foi à custa do FC Porto que aprendi estas palavras.

 

Na altura da vitória da Liga dos Campeões, em 2004, eu já começava a descobrir que havia vida para além do futebol, mas ainda vivi intensamente toda aquela alegria.

 

É por isso que o jogo de despedida do Deco, que vi em casa, num streaming rasca, me fez lembrar tantas alegrias de infância. Quando, aos 14 minutos, Benny McCarthy marcou o segundo golo do Porto, com a assistência do “Mágico”, cantei interiormente esta música, com uma letra nossa, em coro com o estádio.

 

Também por isso me ri tanto com as prestações de Jorge Costa e Jorge Andrade, que apesar da barriga conseguiram ser agressivos como sempre. Com a seriedade do Fernando Santos, que parecia estar a jogar a final do Mundial. Com a genica do Secretário, a dar o tudo por tudo para mostrar que não está velho. Com o pedido de desculpas sentido do Deco, quando marcou um golo com a camisola do Barcelona.

 

Mas o mais bonito foi o último golo, da autoria do “Mágico”, com Baía a ajudar e a não se esforçar muito para o apanhar. O facto de o jogo ter acabado ali, para que o público guardasse esta última imagem, do “seu” Deco a brilhar uma última vez.

 

Também eu quis pôr-me de pé a aplaudir tamanho amor à camisola. Deco desfez-se em agradecimentos e percorreu com a família a sua casa, uma última vez. Todos agradecidos, os adeptos pela magnífica carreira e entrega que aquele jogador nos deu, Deco pelo carinho e pelo respeito. Mas não dá para não respeitar um jogador assim.

 

Isto sim, foi um espetáculo de futebol. Golos bonitos, camaradagem, generosidade. Foi bonito de se ver. É isto que guardamos do futebol. Não são as guerrinhas entre clubes, é esta paixão indescritível e esta nostalgia. Não se explica: vive-se e celebra-se.

 

Obrigada, Mágico Deco.

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Já que tenho mais um blogue, aproveito para escrever algo que já me atormenta há uns tempos, e que preciso de partilhar com o mundo.

 

Uma vez li este texto e identifiquei-me tanto com o princípio que decidi que um dia ia escrever um “Filmar é trabalho”.

 

Fui adiando, com medo de ferir suscetibilidades. Mas agora pensei “que se lixe”. Vou escrever. O mundo precisa de saber isto. Por isso, antes de mais, deixo umas notas prévias, a ver se não recebo já mil mensagens:

 

  1. Este texto não é um recado para rigorosamente ninguém. O que tenho a dizer digo-o diretamente às pessoas em causa.

  2. Se já fiz várias “borlas”, fi-las por livre e espontânea vontade, por diversas razões, a saber:
    • Vontade de colaborar num projeto com que me identifique e que sei, de antemão, que não pode pagar;
    • Amizade com as pessoas em questão, vontade de lhes oferecer algo;
    • Pura ingenuidade minha (não se volta a repetir).

 

Graças a Deus, nunca me apontaram uma faca à cara nem me ordenaram que fizesse um vídeo. Foi sempre fruto de uma conversa e, repito, não estou a mandar recados. Notas prévias feitas, vamos à razão do “manifesto”.

 

 

Já perdi a conta ao número de vezes que me vieram pedir, de mansinho, um “videozinho simples” sobre alguma coisa. Um casamento, um evento, um projeto para promover.

 

A conversa é repetidamente a mesma: “não quero dar muito trabalho, é uma coisa simples, só um resumo da coisa, os momentos mais importantes”. Nestas situações, "simples" é sinónimo de "grátis". Como se o adjectivo anulasse as horas que esse trabalho "simples" implica.

 

Não são raras as vezes que me cruzo com noivos escandalizados com os preços praticados por fotógrafos/videógrafos por um “simples dia” de casamento.

 

Uma vez li num daqueles fóruns de casamento uma mensagem que me mexeu com os nervos:

 

“Temos pesquisado mas os preços que vemos são absurdos: por um dia de trabalho pedem 1000 euros, 1500, 2000... até já 2500 euros me pediram. Quanto poderá custar um fotógrafo standard, que capture alguns bons momentos e consiga fazer também vídeo?”

 

Eu até admito que este raciocínio seja feita por pura ingenuidade, portanto vou-me dar ao trabalho de explicar: pedir a um profissional que “tire umas fotografias” num casamento ou que “faça um vídeo simples” é mais ou menos o mesmo que pedir a um médico que “faça uma consulta simples”, a um professor que “dê uma aula simples” ou a um pintor que “pinte rapidamente uma casa”. É desvalorizar um trabalho que não dura um dia, mas requer muitas, muitas horas de trabalho. Depois, “um fotógrafo que consiga fazer também vídeo” é semelhante a um construtor que pinta a parede enquanto põe a madeira no chão e ainda dá uma perninha a tratar da parte elétrica, tudo ao mesmo tempo. É humanamente impossível. A não ser que se queira um trabalho fraco. Aí, tudo é possível.

 

Dou o exemplo de um casamento porque é um evento em que tipicamente estes serviços são pedidos, cujos preços são altos (porque têm de ser). E falo mais particularmente do vídeo, porque é onde tenho mais experiência.

 

O videógrafo (vulgo “gajo que filma”) não se limita a filmar umas coisas, chegar a casa e passar para um DVD. Se é isso que os noivos querem, há sempre um tio com uma câmara digital que filma em HD e que faz isso “na boa”. Mas aí, nunca terão as músicas todas lindas que o coro cantou, misturadas com a entrada dos noivos, com o momento do “nó”, das alianças, das assinaturas, da saída dos noivos. Nunca terão a música certa no momento certo e as melhores imagens selecionadas, para não ficarem com o rabo quadrado quando as quiserem ver. Terão horas seguidas de gravação sem qualquer tratamento e nunca vos apetecerá ver aquilo do início ao fim. São escolhas!

 

Quando pedem a um profissional para gravar um casamento, ele começa logo a fazer contas à vida. Primeiro, contas de tempo: além de um casamento, desde que começa até que acaba, durar sempre para lá de 12 horas, na hora da edição as horas de filme que ficam no cartão vão-se multiplicar muitas vezes. E um dia de trabalho transforma-se em semanas ou até mesmo meses. Quem não faz disso o seu trabalho principal tem que usar o tempo livre que tem entre descansar, ter um mínimo de vida social e a edição.

 

Mas não são só contas de tempo que o videógrafo tem que fazer. Ter este trabalho implica um investimento de milhares de euros (sim, não estou a exagerar) em material. Para o trabalho ficar bem feito, é necessário ter uma boa câmara, boas lentes (para quem filma com DSLR, vulgo “máquinas fotográficas que filmam”), um tripé ou monopé minimamente estável, microfone, vários cartões, pelo menos duas baterias. Para ficar mesmo decente, são necessárias duas câmaras e duas pessoas, o que implica este investimento a dobrar.

 

É também de lembrar que este é um trabalho criativo nada semelhante a um de uma empregada de limpeza (sem qualquer desprimor para este trabalho digno). É como aquela velha história do Picasso, que, quando questionado por cobrar uma quantia exorbitante por um quadro que fez em cinco minutos, respondeu “eu demorei 50 anos a fazer este quadro”. Um profissional não se limita a passar umas imagens para um DVD porque quer fazer o melhor possível, e o melhor possível não se faz da noite para o dia. Requer muitas horas a ver e rever cada plano, a estudar como se conjugam melhor, a sentir o ritmo do vídeo, a cortar quando está longo, a deixá-lo “respirar” quando tem demasiada informação. Demora horas, às vezes dias, até encontrarmos a música que encaixa naquela sequência, e a fazer ginástica para que dure exatamente o tempo que queremos que dure.

 

Por isso, espantem-se: um “videozinho simples” normalmente demora muito mais do que um vídeo complexo. Um vídeo simples vê-se facilmente, não cansa, é agradável. E quanto mais simples, mais trabalho dá.

 

Não escrevo este testamenho para pedir trabalho a ninguém, pelo contrário. Se me puderem poupar disso, eu agradeço e encaminho-vos para quem se dedique inteiramente a estes projetos. Escrevo por já estar farta de ver estes profissionais desvalorizados, às vezes calcados, sem que ninguém perceba que não estão a pedir para ter uma piscina de notas em casa. Só querem comer, ter um teto e ver o seu trabalho minimamente valorizado num país que lhes oferece zero oportunidades.

 

Para quem é freelancer e vive destes projetos, dói na alma ouvir constantemente “isso é muito caro”, “não há orçamento”, “façam lá o jeitinho”. Se não há orçamento, um conselho: há sempre a máquina digital do tio, que tem muito boa imagem e já é uma boa recordação.

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Porque às vezes vida de jornalista é esperar, esperar eternidades para poder dar uma informação, mostrar uma imagem, contar uma história, hoje estou entediada e só me apetece dormir. Obrigadinha, Ricardo Salgado.

 

Ainda assim, tenho uma réstia de energia para reclamar com o Pingo Doce, que hoje me enervou com a aquela treta do "não aceitamos pagamentos com multibanco abaixo dos 20 euros". Eu já sei que eles, coitadinhos, têm que pagar comissões ao banco por utilizar o multibanco, e com esta política poupam uns valentes milhões. Mas vale tudo para meterem mais algum ao bolso? E os clientes que deixam lá grande parte do seu ordenado, têm que andar sempre a correr para a caixa de multibanco antes de fazer uma compra? Filas no multibanco, filas no supermercado... afinal, quanto custa o conforto e a satisfação do cliente?

 

Eu até percebo que há pessoas que exageram e querem pagar um rebuçado com multibanco, mas quão razoável é dizer a um cliente que acaba de gastar mais de 15 euros em compras "não aceitamos o seu cartão, vá lá fora levantar dinheiro se quer ter as suas compras"? Isto depois de o cartão com o subsídio de alimentação (que praticamente não implica taxas) dar "não autorizado"! Não me chega constatar que ainda não chegamos ao fim do mês e já estou pobre, ainda tenho que levar com as políticas de poupança de milionários? E se eu tiver só 9 euros na conta, não posso comprar nada no Pingo Doce?

 

Há sempre uma justificação para tudo, com estes senhores. A limitação ao multibanco é para "concretizar mais oportunidades de poupança para o cliente", os sacos são para "defender o ambiente". Admiram-me estas empresas ecológicas que só olham para o ambiente quando podem lucrar com isso. Basta passear por um supermercado Pingo Doce para perceber que as preocupações ecológicas não existem por ali. Para disfarçar, ao menos podiam aprender com o Lidl, que tem tudo em caixotes de cartão e não se dá ao trabalho de gastar dinheiro em grandes prateleiras. Não é bonito, tem ar de armazém, mas é prático e ecológico. No Pingo Doce, tudo tem um ar muito apelativo, os produtos são embalados em quantidades escandalosas de plástico, e depois chegamos à caixa e levamos a chapada ecológica de pagar pelos sacos.

 

Estou chateada. Mas a minha preguiça vai-me fazer engolir isto tudo e continuar a encher-lhes os bolsos. Tio Belmiro, podia fazer mais hipermercados na baixa de Lisboa/Santa Apolónia? Faça lá o obséquio, o cliente pouco ecológico e pobre agradece!

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