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01
Ago14

Já não sou info-excluída

por Inês Rocha

 

Já ando a instagramar. Eu disse que não ia postar gatos fofos, cães não contam, ok?

 

Já não sou uma info-excluída. Ontem comprei um iPhone.

 

Vocês: “Eehh pá, um iPhone? Essa coisa do jornalismo dá dinheiro!”

 

Eu: “Eh pá, calem-se”.

 

Comprei um iPhone mas, como uma verdadeira tuga pobre, andei dois meses a estudar maneiras de poupar uns cêntimos no preço final. Vi os preços de todos os últimos modelos numa carrada de lojas, vi tarifários em todas as operadoras do mercado, descobri o plano especial para jornalistas da Vodafone, estudei todas as combinações possíveis de diferentes equipamentos com diferentes tarifários, irritei-me com as informações pouco explícitas do site, ponderei mandar vir o telemóvel do Canadá, descobri que o 4G de lá é diferente. Explorei o Olx, os usados e os novos mas sem garantia, as lojas online duvidosas todas. No fim, vencida pelo cansaço e não encontrando a solução que procurava, acabei por aderir à campanha de jornalistas da Vodafone e preparava-me para pagar uma autêntica prestação (em forma de tarifário) durante dois anos.

 

Ontem, ao almoço, explicava que o telemóvel devia estar a chegar por correio e o meu pai diz-me, tranquilamente: “mas podias aderir ao MEO, eu tenho um voucher para gastar de 150 euros em equipamento e ficas com um tarifário de €7,5 com net e chamadas ilimitadas”.

 

Eu bebi um gole de água e fiquei a pensar como contrapor aquela informação (afinal sou doutorada em tarifários). Não havia como contrapor. Era bom demais para ser verdade.

 

Vai daí, estraguei os planos de dois meses numa tarde e cancelei a compra na Vodafone. Foi tudo surpreendentemente rápido e não me obrigaram a mandar carta registada para 40 sítios diferentes nem preencher 50 formulários, o que foi estranho. Já agora, aceito apostas: quantas vezes, nos próximos meses, me vão ligar a horas inconvenientes a chorar por os ter abandonado de repente?

 

Bom, depois de duas horas numa loja MEO e de o meu santo pai se sujeitar a mais dois anos amarrado àquele operador (ninguém dá vouchers a troco de nada), lá me deram o brinquedo.

 

Agora pareço uma criança, a instalar este mundo e o outro no telefone e a experimentar todas as aplicações que ouvi dizer que são úteis. A sensação é mais ou menos como a do dia em que voltei de Angola, abri o Google no meu computador e aquilo demorou menos de um segundo a abrir. Pareço um burro a olhar para um palácio.

 

Mas nem tudo é bom. Se antes eu era a pessoa mais anti-social e incomunicável de sempre, agora vai tornar-se mais difícil viver na minha bolha. Se não responder a uma SMS, por falta de dinheiro, de não ver o telemóvel, de estar ocupada, etc., a pessoa pode optar por deixar mensagens no Facebook, no e-mail, no Viber, no WhatsApp e em mais não sei quantas aplicações que ainda posso vir a ter. Além de que o bicho sabe sempre onde eu estou, e aparentemente diz às pessoas, para o caso de haver stalkers interessados em encontrar-me.

 

Mas isto até é giro. É tudo super interativo, posso partilhar com o mundo o quanto a “minha” cadela emprestada é fofa, fazer inveja ao pessoal com os cozinhados da minha mãe, partilhar lugares, ideias em tempo real. E as fotos não ficam todas tremidas e pixelizadas, parecem realmente de uma máquina decente. Posso querer pesquisar uma coisa qualquer e de facto consigo cumprir a tarefa rapidamente, não demoro dez minutos a abrir um site.

 

Sim, já sei que pareço a minha avó a falar. Aliás, ela é capaz de dominar melhor estas coisas do que eu.

 

Já agora, meus amigos, preparem-se: daqui a uns dias, quando alguém me ligar, vai ter que levar com aquela senhora que fala com voz de altifalante de supermercado, mas em vez de pedir para se aproximarem da caixa central, diz: “Aviso… ligou para um assinante que agora pertence ao MEO. Por favor aguarde”. Peço desculpa aos mais impacientes!

 

Agora também aceito apostas: durante quanto tempo vou tratar este brinquedo como uma flor de estufa? Pousá-lo devagarinho, ter cuidado para não roçar as chaves de casa do ecrã, andar com película protetora, andar sempre à caça de aplicações giras, isso tudo. No meu telemóvel anterior, mal saí da loja deixei-o cair num chão de cimento e ficou cheio de marcas. Só para adequarem as vossas apostas ao ser destrambelhado que eu sou.

 

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4 comentários

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De Ana a 01.08.2014 às 14:16

Mt bem Mariazinha! Bem vinda ao ano 2014!!! xD agora vais poder ver a tua priminha mais nova pelo facetime, q e mt melhor q skype, mas nao e para todos hehehehe
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De Inês Rocha a 01.08.2014 às 14:52

Yeaaah, quero ver a minha Alicinhaaaa! :) Tens que me ligar, nunca experimentei o Facetime!
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De Ana a 01.08.2014 às 18:03

Ok! Logo qd p Pedro chegar ligamos-te! Manda o teu num em email ou no face
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De Tienda Scrapbooking a 10.12.2014 às 11:44

Me ha gustado mucho el post. Por favor seguid publicando.

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