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29
Jul14

 

Há dois anos, por esta hora, já estava do outro lado do mundo. Eu e mais seis, e mais tantos que levávamos cá dentro connosco. Já tínhamos descarregado e organizado tudo o que levávamos nas malas - roupa de bebé, de criança, de adolescente, de adulto. Escovas de dentes, pastas de dentes, medicamentos de todo o tipo. Brinquedos. Mimos dos de cá para os de lá.

 

Aterrámos em Luanda com aquele nervoso miudinho de quem está prestes a realizar um sonho. Tínhamos quase um mês para nos desligarmos das nossas rotinas, do nosso conforto, das "merdices" que nos envolvem e nos consomem por cá. Lá, só tínhamos uma tarefa: ser para os outros. Além da tralha que levávamos nas malas - que era finita - queríamos levar-nos a nós, e deixarmo-nos lá, inteiros, com aquelas pessoas.

 

O que guardamos daquela experiência é difícil de explicar num texto rápido de um blogue. Daria um livro, e ainda dará, quando eu tiver disponibilidade e coragem para sentar o rabo e acabar o que comecei.

 

Mas hoje, dois anos depois, apetece-me fazer este exercício de recordar algumas das coisas que aprendi na Missão que vivemos em Luanda, durante aquelas semanas – recordar estas coisas é sempre uma “chapada de luva branca” na alma.

 

 

- É impressionante como o conceito de "necessidade básica" difere conforme a condição económica de cada um. Quando penetramos numa realidade de pobreza extrema e damos de caras com a felicidade estampada no rosto daqueles que não têm nada, damo-nos conta do valor de viver desapossado das “coisas” que tanto nos enchem as prateleiras, as carteiras e as agendas.

 

- Perdemos demasiado tempo em queixumes. Concentramo-nos facilmente na nossa condição de "coitadinhos", e esquecemo-nos de dar espaço à gratidão. A maioria das vezes, temos muito mais a agradecer do que a lamentar.

 

- Vivemos tão rodeados por um manancial de informação que nos tornamos desinteressados. Já pouca coisa nos faz parar para pensar. Temos poucas dúvidas. Quando as temos, resolvemos o assunto em dois segundos, com uma visita à Wikipedia. Contactar com pessoas que têm que lutar a sério para aprender mexe cá dentro. Quando dizemos coisas aparentemente básicas e vemos os seus rostos mudarem, por estarem a aprender uma coisa nova, percebemos a sorte que temos. A sua curiosidade e o genuíno interesse é verdadeiramente inspiradora.

 

- Tornamo-nos menos esquisitos. De repente, o feijão já não parece empapado e o leite em pó não tem uma textura assim tão má. Ter uma refeição quente para comer em comunidade de repente chega. Basta isso.

 

- Vamos para lhes ensinar muitas coisas, e acabamos a aprender dez vezes mais. Perdemos o péssimo hábito da indiferença e aprendemos a arte de ver em cada desconhecido um irmão.

 

Tantas mais coisas aprendemos, tanto mais trouxemos connosco. Vou ceder ao cliché do "há coisas que não cabem em palavras". Não cabem mesmo. Mas deixam saudades. Muitas.

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26
Jul14

A nostalgia do Mágico

por Inês Rocha

 

Quando era miúda, já não gostava muito de moda. O que eu gostava era de vestir umas calças de ganga, calçar umas sapatilhas (sim, “ténis” é um desporto) e ir jogar futebol com os rapazes.

 

Lembro-me como se fosse hoje de um dia de chuva, na altura da escola primária, em que ignoramos as ordens da funcionária e fomos para o campo jogar. Chegamos todos encharcados à sala de aula, e ficamos de castigo. A surpresa do dia foi que eu estivesse lá também. A miúda “bem comportada” a fazer o que não devia. Fiquei envergonhada: hoje lembro-me com clareza da cara de reprovação da professora a olhar para mim.

 

O que eu queria era ter uma bola nos pés para me divertir. O gosto pelo futebol veio-me de casa. Com irmão e pai ferrenhos pelo Porto, desde cedo tive curiosidade sobre todo aquele mundo. Lembro-me dos cromos que o meu irmão guardava, o Folha, o Peixe, o Secretário, o Drulovic. Das idas às Antas com o meu pai. De ele ter esquemas preparados para deixar o carro estrategicamente próximo. O estádio coberto de azul, as músicas em coro, os abraços aos desconhecidos. Nos lugares cativos daquela bancada, todos se conheciam. Mesmo não sabendo os nomes uns dos outros, todos partilhavam a mesma paixão.

 

Eu, com a minha camisola do Porto, vibrava com aquele ambiente, apesar de me intrigar como é que aquela gente conseguia ver bem o jogo e conhecer os jogadores àquela distância. Concentrava-me em seguir o ponto branco no relvado, e decorava a baliza em que tínhamos que marcar. Depois, era acompanhar a alegria do meu pai e das pessoas à minha volta.

 

Lembro-me de algumas músicas. Uma delas, que não me esqueço, era assim: “Ele é o nº 10 e finta com os dois pés, é melhor que o Pelé, é o Deco allez allez". Foram os tempos áureos do Porto, e eu ia ao estádio para vê-los ganhar. Certinho como dois mais dois serem quatro. Lembro-me do bi, do tri, do tetra, do penta. Foi à custa do FC Porto que aprendi estas palavras.

 

Na altura da vitória da Liga dos Campeões, em 2004, eu já começava a descobrir que havia vida para além do futebol, mas ainda vivi intensamente toda aquela alegria.

 

É por isso que o jogo de despedida do Deco, que vi em casa, num streaming rasca, me fez lembrar tantas alegrias de infância. Quando, aos 14 minutos, Benny McCarthy marcou o segundo golo do Porto, com a assistência do “Mágico”, cantei interiormente esta música, com uma letra nossa, em coro com o estádio.

 

Também por isso me ri tanto com as prestações de Jorge Costa e Jorge Andrade, que apesar da barriga conseguiram ser agressivos como sempre. Com a seriedade do Fernando Santos, que parecia estar a jogar a final do Mundial. Com a genica do Secretário, a dar o tudo por tudo para mostrar que não está velho. Com o pedido de desculpas sentido do Deco, quando marcou um golo com a camisola do Barcelona.

 

Mas o mais bonito foi o último golo, da autoria do “Mágico”, com Baía a ajudar e a não se esforçar muito para o apanhar. O facto de o jogo ter acabado ali, para que o público guardasse esta última imagem, do “seu” Deco a brilhar uma última vez.

 

Também eu quis pôr-me de pé a aplaudir tamanho amor à camisola. Deco desfez-se em agradecimentos e percorreu com a família a sua casa, uma última vez. Todos agradecidos, os adeptos pela magnífica carreira e entrega que aquele jogador nos deu, Deco pelo carinho e pelo respeito. Mas não dá para não respeitar um jogador assim.

 

Isto sim, foi um espetáculo de futebol. Golos bonitos, camaradagem, generosidade. Foi bonito de se ver. É isto que guardamos do futebol. Não são as guerrinhas entre clubes, é esta paixão indescritível e esta nostalgia. Não se explica: vive-se e celebra-se.

 

Obrigada, Mágico Deco.

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Já que tenho mais um blogue, aproveito para escrever algo que já me atormenta há uns tempos, e que preciso de partilhar com o mundo.

 

Uma vez li este texto e identifiquei-me tanto com o princípio que decidi que um dia ia escrever um “Filmar é trabalho”.

 

Fui adiando, com medo de ferir suscetibilidades. Mas agora pensei “que se lixe”. Vou escrever. O mundo precisa de saber isto. Por isso, antes de mais, deixo umas notas prévias, a ver se não recebo já mil mensagens:

 

  1. Este texto não é um recado para rigorosamente ninguém. O que tenho a dizer digo-o diretamente às pessoas em causa.

  2. Se já fiz várias “borlas”, fi-las por livre e espontânea vontade, por diversas razões, a saber:
    • Vontade de colaborar num projeto com que me identifique e que sei, de antemão, que não pode pagar;
    • Amizade com as pessoas em questão, vontade de lhes oferecer algo;
    • Pura ingenuidade minha (não se volta a repetir).

 

Graças a Deus, nunca me apontaram uma faca à cara nem me ordenaram que fizesse um vídeo. Foi sempre fruto de uma conversa e, repito, não estou a mandar recados. Notas prévias feitas, vamos à razão do “manifesto”.

 

 

Já perdi a conta ao número de vezes que me vieram pedir, de mansinho, um “videozinho simples” sobre alguma coisa. Um casamento, um evento, um projeto para promover.

 

A conversa é repetidamente a mesma: “não quero dar muito trabalho, é uma coisa simples, só um resumo da coisa, os momentos mais importantes”. Nestas situações, "simples" é sinónimo de "grátis". Como se o adjectivo anulasse as horas que esse trabalho "simples" implica.

 

Não são raras as vezes que me cruzo com noivos escandalizados com os preços praticados por fotógrafos/videógrafos por um “simples dia” de casamento.

 

Uma vez li num daqueles fóruns de casamento uma mensagem que me mexeu com os nervos:

 

“Temos pesquisado mas os preços que vemos são absurdos: por um dia de trabalho pedem 1000 euros, 1500, 2000... até já 2500 euros me pediram. Quanto poderá custar um fotógrafo standard, que capture alguns bons momentos e consiga fazer também vídeo?”

 

Eu até admito que este raciocínio seja feita por pura ingenuidade, portanto vou-me dar ao trabalho de explicar: pedir a um profissional que “tire umas fotografias” num casamento ou que “faça um vídeo simples” é mais ou menos o mesmo que pedir a um médico que “faça uma consulta simples”, a um professor que “dê uma aula simples” ou a um pintor que “pinte rapidamente uma casa”. É desvalorizar um trabalho que não dura um dia, mas requer muitas, muitas horas de trabalho. Depois, “um fotógrafo que consiga fazer também vídeo” é semelhante a um construtor que pinta a parede enquanto põe a madeira no chão e ainda dá uma perninha a tratar da parte elétrica, tudo ao mesmo tempo. É humanamente impossível. A não ser que se queira um trabalho fraco. Aí, tudo é possível.

 

Dou o exemplo de um casamento porque é um evento em que tipicamente estes serviços são pedidos, cujos preços são altos (porque têm de ser). E falo mais particularmente do vídeo, porque é onde tenho mais experiência.

 

O videógrafo (vulgo “gajo que filma”) não se limita a filmar umas coisas, chegar a casa e passar para um DVD. Se é isso que os noivos querem, há sempre um tio com uma câmara digital que filma em HD e que faz isso “na boa”. Mas aí, nunca terão as músicas todas lindas que o coro cantou, misturadas com a entrada dos noivos, com o momento do “nó”, das alianças, das assinaturas, da saída dos noivos. Nunca terão a música certa no momento certo e as melhores imagens selecionadas, para não ficarem com o rabo quadrado quando as quiserem ver. Terão horas seguidas de gravação sem qualquer tratamento e nunca vos apetecerá ver aquilo do início ao fim. São escolhas!

 

Quando pedem a um profissional para gravar um casamento, ele começa logo a fazer contas à vida. Primeiro, contas de tempo: além de um casamento, desde que começa até que acaba, durar sempre para lá de 12 horas, na hora da edição as horas de filme que ficam no cartão vão-se multiplicar muitas vezes. E um dia de trabalho transforma-se em semanas ou até mesmo meses. Quem não faz disso o seu trabalho principal tem que usar o tempo livre que tem entre descansar, ter um mínimo de vida social e a edição.

 

Mas não são só contas de tempo que o videógrafo tem que fazer. Ter este trabalho implica um investimento de milhares de euros (sim, não estou a exagerar) em material. Para o trabalho ficar bem feito, é necessário ter uma boa câmara, boas lentes (para quem filma com DSLR, vulgo “máquinas fotográficas que filmam”), um tripé ou monopé minimamente estável, microfone, vários cartões, pelo menos duas baterias. Para ficar mesmo decente, são necessárias duas câmaras e duas pessoas, o que implica este investimento a dobrar.

 

É também de lembrar que este é um trabalho criativo nada semelhante a um de uma empregada de limpeza (sem qualquer desprimor para este trabalho digno). É como aquela velha história do Picasso, que, quando questionado por cobrar uma quantia exorbitante por um quadro que fez em cinco minutos, respondeu “eu demorei 50 anos a fazer este quadro”. Um profissional não se limita a passar umas imagens para um DVD porque quer fazer o melhor possível, e o melhor possível não se faz da noite para o dia. Requer muitas horas a ver e rever cada plano, a estudar como se conjugam melhor, a sentir o ritmo do vídeo, a cortar quando está longo, a deixá-lo “respirar” quando tem demasiada informação. Demora horas, às vezes dias, até encontrarmos a música que encaixa naquela sequência, e a fazer ginástica para que dure exatamente o tempo que queremos que dure.

 

Por isso, espantem-se: um “videozinho simples” normalmente demora muito mais do que um vídeo complexo. Um vídeo simples vê-se facilmente, não cansa, é agradável. E quanto mais simples, mais trabalho dá.

 

Não escrevo este testamenho para pedir trabalho a ninguém, pelo contrário. Se me puderem poupar disso, eu agradeço e encaminho-vos para quem se dedique inteiramente a estes projetos. Escrevo por já estar farta de ver estes profissionais desvalorizados, às vezes calcados, sem que ninguém perceba que não estão a pedir para ter uma piscina de notas em casa. Só querem comer, ter um teto e ver o seu trabalho minimamente valorizado num país que lhes oferece zero oportunidades.

 

Para quem é freelancer e vive destes projetos, dói na alma ouvir constantemente “isso é muito caro”, “não há orçamento”, “façam lá o jeitinho”. Se não há orçamento, um conselho: há sempre a máquina digital do tio, que tem muito boa imagem e já é uma boa recordação.

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Porque às vezes vida de jornalista é esperar, esperar eternidades para poder dar uma informação, mostrar uma imagem, contar uma história, hoje estou entediada e só me apetece dormir. Obrigadinha, Ricardo Salgado.

 

Ainda assim, tenho uma réstia de energia para reclamar com o Pingo Doce, que hoje me enervou com a aquela treta do "não aceitamos pagamentos com multibanco abaixo dos 20 euros". Eu já sei que eles, coitadinhos, têm que pagar comissões ao banco por utilizar o multibanco, e com esta política poupam uns valentes milhões. Mas vale tudo para meterem mais algum ao bolso? E os clientes que deixam lá grande parte do seu ordenado, têm que andar sempre a correr para a caixa de multibanco antes de fazer uma compra? Filas no multibanco, filas no supermercado... afinal, quanto custa o conforto e a satisfação do cliente?

 

Eu até percebo que há pessoas que exageram e querem pagar um rebuçado com multibanco, mas quão razoável é dizer a um cliente que acaba de gastar mais de 15 euros em compras "não aceitamos o seu cartão, vá lá fora levantar dinheiro se quer ter as suas compras"? Isto depois de o cartão com o subsídio de alimentação (que praticamente não implica taxas) dar "não autorizado"! Não me chega constatar que ainda não chegamos ao fim do mês e já estou pobre, ainda tenho que levar com as políticas de poupança de milionários? E se eu tiver só 9 euros na conta, não posso comprar nada no Pingo Doce?

 

Há sempre uma justificação para tudo, com estes senhores. A limitação ao multibanco é para "concretizar mais oportunidades de poupança para o cliente", os sacos são para "defender o ambiente". Admiram-me estas empresas ecológicas que só olham para o ambiente quando podem lucrar com isso. Basta passear por um supermercado Pingo Doce para perceber que as preocupações ecológicas não existem por ali. Para disfarçar, ao menos podiam aprender com o Lidl, que tem tudo em caixotes de cartão e não se dá ao trabalho de gastar dinheiro em grandes prateleiras. Não é bonito, tem ar de armazém, mas é prático e ecológico. No Pingo Doce, tudo tem um ar muito apelativo, os produtos são embalados em quantidades escandalosas de plástico, e depois chegamos à caixa e levamos a chapada ecológica de pagar pelos sacos.

 

Estou chateada. Mas a minha preguiça vai-me fazer engolir isto tudo e continuar a encher-lhes os bolsos. Tio Belmiro, podia fazer mais hipermercados na baixa de Lisboa/Santa Apolónia? Faça lá o obséquio, o cliente pouco ecológico e pobre agradece!

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22
Jul14

Notas ao dia de hoje #1

por Inês Rocha

- O pessoal do Sapo pôs claramente o carro à frente dos bois e já “puxou” o meu blogue para os destaques do dia. Tendo em conta que isto ainda agora começou e nada prova que vai a algum lado, só tenho a agradecer. Eu bem estranhei o “boom” de visitas e comentários! Obrigada Sapinho, bem-vindos, novos leitores!

 

- Descobri hoje que a Vodafone do Rossio é ainda pior que as Finanças em altura de IRS. Fiquei quase 1 (UMA) hora à espera para tratar de um assunto mega rápido. Houve lá um senhor que deve ter comprado 5 telefones e modificado 30 contratos, dada a quantidade de tempo que lá esteve. Valeu a simpatia da funcionária, que pediu desculpa pela situação sem eu ter sequer reclamado e se prontificou a ajudar para além das obrigações dela. Claro que a Vodafone tinha seis “guichês”, mas só três estavam abertos. É que os clientes pagam pouco e não têm mais nada que fazer, portanto fazê-los esperar uma hora é na boa.

 

- Mais incidente menos incidente, os professores lá fizeram a prova de acesso à carreira docente. Se é justo ou não, se a prova está bem feita ou não, se os sindicatos se portaram bem, se o governo foi razoável, muito há para discutir. Mas a minha pergunta é só esta: qual carreira?! Desde quando é que os professores contratados com menos de cinco anos de serviço têm uma “carreira”? Se o ministério se desse ao trabalho de dar condições de aprendizagem aos alunos e condições mínimas aos professores para fazerem o seu trabalho, uma das missões mais importantes da nossa sociedade, seria bem mais interessante do que este braço de ferro ridículo com a classe. Se acabassem com os mega-agrupamentos, que afastam decisões das comunidades escolares e aumentam a burocracia, que fazem dos professores autênticos estafetas, em vez de os concentrar num projecto individual de escola, é que mostrariam preocupação com a Educação dos nossos alunos. Mas não, Crato revela-se um ministro mercenário, sempre a olhar para as contas e menos para as pessoas. E depois faz estes exames ridículos que não provam nada e retiram ainda mais a réstia de dignidade que os novos professores tentam ter. Eles já são avaliados, todos os anos, na escola onde leccionam. Não será este exame um atestado de incompetência aos próprios colegas que os avaliam?

 

- Posto isto: hoje trabalhei excepcionalmente das 9h às 17h (a excepção prolonga-se por mais uns dias) e passei o dia com esta música na cabeça, que me fez recordar a minha bela infância:

 

 

 

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Caro Dr. António Costa,

 

Eu sei que está muito ocupado a tentar ser o próximo primeiro-ministro deste país, mas por favor pense nisto. Nós já temos aquela maravilha de piso que é a calçada portuguesa. Tendo em conta que Lisboa parece mais uma cordilheira do que a cidade das 7 colinas, em algumas zonas a população já é obrigada a fazer patinagem artística, sempre que desce uma rua mais íngreme. Eu pelo menos, desde que comecei a usar sandálias, tenho "quase-quedas" todos os dias.

 

Com esta ideia, ao menos teríamos um colchão debaixo do rabo, e ainda desfrutávamos da adrenalina de ter uma cidade tão radical. O artista Luke Jerram já o fez em Bristol durante um dia e foi um sucesso. Era só fazer o mesmo, mas todos os dias. Fácil!

 

Pense nisto com carinho! Era coisa para a malta do PS gostar, não acha?

 

Abraço e continuação de boa campanha,

Inês

 

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20
Jul14

O tamanho dos pacotes

por Inês Rocha

 

 

Uma coisa que me irrita nesta sociedade de consumo é o tamanho dos pacotes. Isso mesmo. Aparentemente nenhuma fábrica de produtos alimentares perde um minuto a pensar que os eventuais compradores podem… viver sozinhos. Toda a indústria está virada para as famílias – ainda que elas escasseiem cada vez mais.

 

Vai daí, as indústrias de lacticínios em Portugal decidiram que só se fazem pacotes de leite de 1 litro ou daqueles pacotinhos de 33 ml para as crianças levarem para a escola. Nada de 500ml, por exemplo, ou 750ml, que já chegava para não ter que deitar fora aquele restinho de leite ridículo à sexta-feira.

 

Até as fábricas de conservas ainda não chegaram à conclusão que se calhar podiam fazer latas de ervilhas, de feijão e de grão um pouco mais pequenas. Para que é que eu preciso de latões de meio quilo se no dia seguinte já está tudo cheio de bolor? Parece que ainda só perceberam a mensagem com os cogumelos e o milho – esses sim, vêm por vezes em latas de 185g. E apesar de nos obrigarem a comprar logo três latas (não chulam o cliente pelo tamanho, chulam pela quantidade), ao menos garantem que metade da comida não vai para o lixo.

 

Depois são os legumes. Eu até gostava de ser uma pessoa saudável, mas não gosto mesmo nada de deitar comida fora. E os próprios legumes não são feitos para seres que vivem sozinhos. Vejamos: uma alface é gigante. Quando eu estou em casa dos meus pais e há alface (note-se, para quatro pessoas), muitas vezes alguma acaba por ir parar ao lixo. Mesmo sendo servida em várias refeições.

 

As grandes superfícies tiveram aquela brilhante ideia de fazer saquinhos de salada já lavada e arranjada para preguiçosos, mas voltaram a esquecer-se desses seres solitários que não fazem refeições com mais três pessoas. Senhor Belmiro de Azevedo, senhor Soares dos Santos, por favor mandem fazer saquinhos de salada mais pequenos. Porque vejam, as pessoas que vivem sozinhas (ou a partilhar casa num regime não familiar) também têm direito a manter a linha sem pensar que a comida que vão deitar fora podia ter alimentado mais três pessoas famintas.

 

O que a indústria nos está a querer dizer é que nós, solteiros, só podemos comer legumes congelados? Não somos igualmente filhos de Deus? Não temos direito a comer legumes da horta fresquinhos? Ou está a dizer-nos que não podemos ter uma alimentação variada? É que neste momento, a única forma de eu não desperdiçar feijão, quando abro uma lata, é comer pelo menos 4 refeições seguidas com feijão abundante. E todos sabemos que comer feijão em demasia nunca dá muito bom resultado…

 

PS: Hoje é Domingo, é dia de ver o Reininho todo cego!

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19
Jul14

 

 

E para começar à boa maneira “blogueira”, arranco já a criticar famosos. Não é que eu goste de dizer mal das pessoas… a não ser quando elas merecem muito.

 

O Gustavo Santos merece muito.

 

Para quem ainda não se deparou com os vídeos que andam a correr as redes sociais, em que Gustavo dá uma de “Life Coach” e desata a dizer generalidades mais ou menos profundas sobre o sentido da vida, eu resumo:

 

Gustavo Santos é aquele rapaz simpático que apresenta o Querido Mudei a Casa, que participou no Big Brother Famosos (a investigação que eu faço para vos informar!) e que entrou em grandes produções nacionais como Floribella, Chiquititas e Morangos com Açúcar.

 

No meio disto tudo, Gustavo ainda teve tempo para ser bailarino, modelo… e para escrever 7 livros. A escrever, ele é mais ou menos como o professor Marcelo a ler livros – com a diferença de que ele só escreve, não lê nada.

 

É verdade: numa destas noites em que estive em casa rodeada por várias montanhas de lenços ranhosos, tive oportunidade de ver o Gustavo no “5 para a meia-noite”, onde ele afirmou, orgulhosamente, que escrevia tanto que não tinha tempo para ler livros. Até porque, se lesse, seria influenciado por esses mesmos livros. E aparentemente, no mundo do génio Gustavo, ser influenciado por bons escritores é uma coisa má.

 

De repente, Gustavo tornou-se o filósofo moderno, que é aquele filósofo que não lê, escreve mais ou menos, tem um sorriso “muita” giro, uns abdominais tão definidos que parecem de plástico, aparece na televisão e no Youtube e faz gestos engraçados com as mãos. Tem ainda uma legião de fãs do sexo feminino que defendem com unhas e dentes que “ele diz coisas muito acertadas”.

 

Eu confesso que nunca consegui ver, do início ao fim, os vídeos do Youtube em que o Gustavo fala sobre o sentido da vida. Isto por várias razões: primeiro, os gestos. São verdadeiramente irritantes. Gustavo consegue ser Life Coach e Mimo ao mesmo tempo. Depois, porque os excertos que vi revelam que o Gustavo não lê mesmo livros nenhuns. E desata a inventar etimologias ridículas: “O presente, se dividires a palavra em dois, é o pré-sente”; “a mente é mentirosa, porque mente”.

 

Mas dentro das verdades absolutas inventadas pelo Gustavo, a mais escandalosa (até agora) é esta:

 

"O grande responsável aqui não é o violador, não é o agressor. É o passivo. Esse é que é o grande responsável. Porque esse é que escolhe sempre e após cada agressão manter-se."

 

Não basta não ler livros para dizer uma coisa destas. É preciso ser um calhau sem um mínimo de noção do que é este mundo e usar constantemente uns óculos com umas lentes bem cor-de-rosa. Este “Life Coach” se calhar devia aprender um bocadinho mais sobre o que é a “life”.

 

E pronto, já chega de dizer mal de pessoas por agora. Deixo-vos entretanto umas paródias geniais a estes “vídeos virais” sobre a “life” do Gustavo.

 

 

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18
Jul14

Só mais um

por Inês Rocha

Às vezes dá-me para criar blogues. É mais ou menos entre as 2 da manhã e as 3, quando está um calor dos diabos para dormir, não está a dar nada na televisão, o Facebook continua a mesma coisa e o cérebro começa a ter ideias peregrinas.

Começo a pensar como, no meu super blog, hei-de escrever coisas giras-e-interessantes-e-divertidas, e até partilhar com o mundo as ideias idiotas que às vezes me passam pela cabeça. Afinal, a Internet está mesmo a precisar de mais um blogue super-giro-e-interessante, porque há mesmo pouquinhos.

 

Neste espaço, prometo nunca publicar:


1. Gatinhos fofinhos a fazer coisas engraçadas
2. Fotos de pés com o mar ao fundo (os meus pés são horrorosos)
3. Listas de X dicas para se tornarem pessoas felizes

4. Dicas de Moda (percebo tanto de Moda como da pesca do marisco)

 

Acho que só por esta razão, este blog já promete ser um bocadinho diferente de cerca de metade dos blogs deste mundo.

Vamos ver no que isto dá. Se não der em nada - ou se o próximo post for daqui a 2 meses - acho que também não causa transtorno a ninguém. Nem a mim, que por enquanto vou continuar a aceitar pacificamente a minha própria preguiça.

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