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20
Jul14

O tamanho dos pacotes

por Inês Rocha

 

 

Uma coisa que me irrita nesta sociedade de consumo é o tamanho dos pacotes. Isso mesmo. Aparentemente nenhuma fábrica de produtos alimentares perde um minuto a pensar que os eventuais compradores podem… viver sozinhos. Toda a indústria está virada para as famílias – ainda que elas escasseiem cada vez mais.

 

Vai daí, as indústrias de lacticínios em Portugal decidiram que só se fazem pacotes de leite de 1 litro ou daqueles pacotinhos de 33 ml para as crianças levarem para a escola. Nada de 500ml, por exemplo, ou 750ml, que já chegava para não ter que deitar fora aquele restinho de leite ridículo à sexta-feira.

 

Até as fábricas de conservas ainda não chegaram à conclusão que se calhar podiam fazer latas de ervilhas, de feijão e de grão um pouco mais pequenas. Para que é que eu preciso de latões de meio quilo se no dia seguinte já está tudo cheio de bolor? Parece que ainda só perceberam a mensagem com os cogumelos e o milho – esses sim, vêm por vezes em latas de 185g. E apesar de nos obrigarem a comprar logo três latas (não chulam o cliente pelo tamanho, chulam pela quantidade), ao menos garantem que metade da comida não vai para o lixo.

 

Depois são os legumes. Eu até gostava de ser uma pessoa saudável, mas não gosto mesmo nada de deitar comida fora. E os próprios legumes não são feitos para seres que vivem sozinhos. Vejamos: uma alface é gigante. Quando eu estou em casa dos meus pais e há alface (note-se, para quatro pessoas), muitas vezes alguma acaba por ir parar ao lixo. Mesmo sendo servida em várias refeições.

 

As grandes superfícies tiveram aquela brilhante ideia de fazer saquinhos de salada já lavada e arranjada para preguiçosos, mas voltaram a esquecer-se desses seres solitários que não fazem refeições com mais três pessoas. Senhor Belmiro de Azevedo, senhor Soares dos Santos, por favor mandem fazer saquinhos de salada mais pequenos. Porque vejam, as pessoas que vivem sozinhas (ou a partilhar casa num regime não familiar) também têm direito a manter a linha sem pensar que a comida que vão deitar fora podia ter alimentado mais três pessoas famintas.

 

O que a indústria nos está a querer dizer é que nós, solteiros, só podemos comer legumes congelados? Não somos igualmente filhos de Deus? Não temos direito a comer legumes da horta fresquinhos? Ou está a dizer-nos que não podemos ter uma alimentação variada? É que neste momento, a única forma de eu não desperdiçar feijão, quando abro uma lata, é comer pelo menos 4 refeições seguidas com feijão abundante. E todos sabemos que comer feijão em demasia nunca dá muito bom resultado…

 

PS: Hoje é Domingo, é dia de ver o Reininho todo cego!

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